{"id":9582,"date":"2021-02-20T21:20:19","date_gmt":"2021-02-20T20:20:19","guid":{"rendered":"https:\/\/ies.bio\/non-categorizzato\/looking-through-the-divided-self\/"},"modified":"2021-03-17T02:49:28","modified_gmt":"2021-03-17T01:49:28","slug":"olhando-atraves-do-eu-dividido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ies.bio\/pt-br\/ecopsychology-vision-pt-br\/olhando-atraves-do-eu-dividido\/","title":{"rendered":"Olhando atrav\u00e9s do eu dividido"},"content":{"rendered":"<p>Uma grande parte da pesquisa em estudos ecol\u00f3gicos e de conserva\u00e7\u00e3o permanece alheia ao papel do self dividido, que busca realizar-se de maneiras que n\u00e3o pode compreender totalmente. Mas ser\u00e1 que existe uma solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel, sem que olhemos para a pr\u00f3pria base do self que cria o problema e, que depois ent\u00e3o se aventura a descobrir uma solu\u00e7\u00e3o? Este artigo examina as tens\u00f5es no self dividido que s\u00e3o frequentemente \u00f3bvias em atividades social e politicamente sancionadas, mas permanecem um tanto nebulosas dentro da narrativa maior da cat\u00e1strofe ecol\u00f3gica.<\/p>\n<p>A divis\u00e3o no self emerge quando a experi\u00eancia do mundo e a experi\u00eancia de si mesmo s\u00e3o distorcidas. Existe, antes de mais nada, um contexto existencial que influencia todas as formas de loucura. Ao experimentarmo-nos como &#8220;pessoas&#8221; no olhar dos outros, sentimos uma sensa\u00e7\u00e3o de autovalida\u00e7\u00e3o. Quando a mesma experi\u00eancia \u00e9 invertida, ocorre uma despersonaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A modernidade e a sua obsess\u00e3o por objetos e objetiva\u00e7\u00e3o &#8211; que Fromm apropriadamente chama de necrofilia &#8211; garante que a despersonaliza\u00e7\u00e3o se torne a pr\u00f3pria base da forma\u00e7\u00e3o da identidade e da associa\u00e7\u00e3o com o mundo. Os seus atributos pessoais, que incluem as dimens\u00f5es eco-psicol\u00f3gicas de estar no mundo, s\u00e3o transformados em meros pr\u00e9-requisitos para uma sess\u00e3o terap\u00eautica decente.<\/p>\n<p>Na verdade, a pr\u00f3pria linguagem com que as pessoas em terapia tendem a descrever as suas desgra\u00e7as, carrega a marca do mesmo frenesi louco de que se tentam livrar. Andree Collard, por exemplo, discute a mudan\u00e7a na descri\u00e7\u00e3o das pessoas relactivamente aos seus relacionamentos com a natureza e entre si, como <em>holofrases<\/em>, que s\u00e3o cheias de uma gama complexa de sentimentos e emo\u00e7\u00f5es, para uma forma compacta de linguagem. O reducionismo inerente \u00e0 linguagem, portanto, n\u00e3o apenas auxilia na divis\u00e3o do eu, mas tamb\u00e9m se torna um obst\u00e1culo prim\u00e1rio para qualquer recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Envolvido numa atmosfera social que enfatiza a despersonaliza\u00e7\u00e3o e a aliena\u00e7\u00e3o, \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o buscar valida\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3prias institui\u00e7\u00f5es e estruturas que amea\u00e7am o &#8220;eu&#8221; em primeiro lugar. Por exemplo, embora haja uma objetifica\u00e7\u00e3o e fragmenta\u00e7\u00e3o inerentes ao tecnocentrismo, isso n\u00e3o impede ningu\u00e9m de se embriagar com a pr\u00f3xima hashtag no Twitter. Pelo contr\u00e1rio, \u00e9 fabricada uma personalidade viciante que busca, do \u201cdesconhecido\u201d, gratifica\u00e7\u00e3o em um objetivo e aprova\u00e7\u00e3o sem sentido. Kanner e Gomes referem-se a essa obsess\u00e3o como uma forma de transtorno narcisista da personalidade. Isso n\u00e3o \u00e9 negar que a tecnologia n\u00e3o tem os seus benef\u00edcios, mas reconhecer que a nossa confian\u00e7a em oferecer novas solu\u00e7\u00f5es baseadas em tecnologia para os nossos problemas geralmente aumenta o problema. O melhor exemplo disso pode ser encontrado na pesquisa de Racahel Carson sobre o impacto dos pesticidas.<\/p>\n<p>Existem muitos exemplos semelhantes que ilustram as consequ\u00eancias de uma abordagem n\u00e3o examinada da tecnologia, ou mesmo de uma suposta boa reforma pol\u00edtica (por exemplo, a Revolu\u00e7\u00e3o Verde na \u00cdndia). A suposi\u00e7\u00e3o subjacente \u00e9 o frequentemente repetido como sendo &#8220;tudo igual&#8221;, o que significa que se todas as vari\u00e1veis \u200b\u200bparticipantes permanecerem iguais, a reforma por meio de pol\u00edtica, protesto ou tecnologia &#8216;deve&#8217; funcionar. Mas os seres humanos n\u00e3o s\u00e3o iguais, n\u00e3o somos compostos mon\u00e1dicos dos mesmos n\u00edveis de medo e desejo (entre outras coisas). Mesmo como coletivos sociais, h\u00e1 muito pouco que \u00e9 comum em termos de demandas e necessidades de diferentes grupos. Duas pessoas podem ter desejos ou medos muito diferentes com base numa s\u00e9rie de fatores sociais, psicol\u00f3gicos e culturais. Isso pode ser facilmente compreendido ao observar as diferentes atitudes que as pessoas t\u00eam em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Todos os dados cient\u00edficos apontam para a cat\u00e1strofe que nos espera, mas as pessoas continuam em nega\u00e7\u00e3o. Por que \u00e9 que isso acontece?<\/p>\n<p>A lacuna entre a mudan\u00e7a percebida e a mudan\u00e7a real \u00e9, evidentemente, um resultado da reuni\u00e3o de indiv\u00edduos movidos de forma diferente. Mas, o fato de que os indiv\u00edduos nesses grupos (incluindo o meu pr\u00f3prio eu) tenham sido continuamente privados da totalidade de si mesmos desempenha um papel muito maior.<\/p>\n<p>Os nossos corpos, por exemplo, tornaram-se meros objetos entre outros objetos, que precisam de ser embelezados e modificados para serem apreciados por outros. Os nossos corpos tornam-se, para usar uma frase de R. D. Laing, \u201co n\u00facleo de um eu incorp\u00f3reo\u201d. O eu dividido e sem corpo \u00e9 omnipotente e sempre poderoso. Ele envolve-se com o mundo da sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o e nunca est\u00e1 num relacionamento criativo com os outros. \u00c9 um consumidor, uma mercadoria e um vendedor &#8211; tudo em um. Os an\u00fancios e shoppings tentam-nos a consumir, os media usa-nos como mercadoria, e n\u00f3s fazemos os an\u00fancios e trabalhamos para os media! A divis\u00e3o no self torna imposs\u00edvel reconhecer a gravidade do problema, especialmente porque \u00e9 muito mais f\u00e1cil desviar o olhar e deixar as coisas como est\u00e3o. Isso cria um v\u00e1cuo dentro de n\u00f3s, que s\u00f3 pode ser preenchido por coisas novas, eventos ou ideologias vazias. Para qualquer movimento ecol\u00f3gico ter sucesso, seria, portanto, necess\u00e1rio reconhecer o aspecto ecopsicol\u00f3gico de nosso self, pois \u00e9 o &#8220;self&#8221; que est\u00e1 no centro de toda experi\u00eancia e a\u00e7\u00e3o. Um self quebrado significa apenas mais crise e caos.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p>* Fonte da imagem &#8211; Paisagem abstrata turquesa, de Alan Scales, in unsplash.com<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Fromm, E. (1992).\u00a0<em>The anatomy of human destructiveness<\/em>. Macmillan.<\/li>\n<li>Collard, A., &amp; Contrucci, J. (1989).\u00a0<em>Rape of the Wild: Man\u2019s Violence against Animals and the Earth<\/em>. Indiana University Press.<\/li>\n<li>Kanner, A. D., &amp; Gomes, M. E. (1995). The all-consuming self.\u00a0<em>Ecopsychology: Restoring the earth, healing the mind<\/em>, 77-91.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma grande parte da pesquisa em estudos ecol\u00f3gicos e de conserva\u00e7\u00e3o permanece alheia ao papel do self dividido, que busca realizar-se de maneiras que n\u00e3o pode compreender totalmente. 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